Comportamento da Banda New Hit Caiu ao Nível de Sua Qualidade Musical




Hoje teve início o julgamento do caso de estupro de menores cometido pelo grupo de pagode New Hit.


Em meados do ano de 2012, a banda de pagode baiana New Hit esteve bem presente nos noticiários. Isso se deu não por causa do talento musical dos seus integrantes, mas sim por estes terem sido indiciados por estrupo de duas adolescentes e formação de quadrilha, incluindo um PM por conivência no ocorrido. Ou seja, a banda saiu da coluna de música indo diretamente para a coluna policial dos jornais.


Integrantes do New Hit sendo presos em 2012 (Foto: SRZD)

O caso aconteceu na cidade de Ruy Barbosa em agosto de 2012, na Bahia, onde o grupo se apresentou em um trio elétrico. Como qualquer tietes adolescentes, as meninas foram até o ônibus da banda para tirar retratos com os integrantes, e foi lá que o crime aconteceu.

As meninas vítimas do ataque e estupro (FOTO: Bahia Notícias)
Como se isso não fosse o trauma suficiente para essas adolescentes, elas tiveram de ser remanejadas de sua cidade por terem sido ameaçadas de morte, entrando no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM). 

Os indiciados ficaram presos 38 dias, com um laudo afirmativo de estupro, para logo depois serem soltos e iniciar apresentações públicas em dezembro de 2012. No entanto, algumas dessas apresentações foram canceladas em vários locais do Brasil por terem sido marcadas por fortes protestos.

O caso tem gerado muitos protestos de grupos de mulheres no Brasil desde seu início. Os comentários nas redes sociais, como o Facebook, também foram muitos e a maioria mostrava grande indignação.

Mas muito embora a palavra suspeitos de crime poderia ser o suficiente para que a banda caísse no ostracismo, perdendo muitos fiéis seguidores, no Brasil, o estupro de menores pelos integrantes deste grupo de pagode, parece ter criado uma certa aura fetichista de homens viris em torno dos integrantes da banda, pois o grupo musical ainda conta com o apoio de fãs.

É importante também procurar as razões que possam explicar a atitude dos 9 rapazes que compõe tal grupo musical. Nesse sentido, vale a pena notar que a banda, musicalmente, já foi elaborada explorando letras com conteúdo sexual quase explícito.

A produção da imagem do grupo também foi elaborada com o intuito de explorar a sexualidade masculina que é exclusivamente dirigida às mulheres e meninas adolescentes e, com certeza alguns gays vão a reboque nessa leva. Nesse contexto visual, percebe-se que esses rapazes bem jovens, parecem ter saído de uma boate de strip-tease, onde em seus shows são simuladas rotinas performáticas bem semelhantes a dos go-go boys.


Uma das imagens que divulga o grupo.

Essa imagem criada para a banda poderia ter sido até uma boa coisa para as mulheres, por poderem assim como os homens, apreciarem a sexualidade masculina na mídia e mesmo em shows. Com certeza isso, de um ponto de vista feminista, seria bem vindo se seu público não fosse também composto largamente de adolescentes. Ainda, uma banda de pagode composta de go-go boys só teria sido uma conquista para as mulheres, caso os integrantes da banda pudessem controlar os seus níveis de testosterona.

New Hit exibindo (e checando) seus corpos.
(Foto captada do site Na Pegada Net)

A falta deste controle demonstra a ausência de maturidade e a falta de preparo e seriedade dos rapazes para desempenhar o papel de homem objeto ao qual se propuseram. Esta ausência de controle emocional junto à falta de profissionalis (não se estupra tiête), faria com que eles a qualquer hora se envolvessem em qualquer outra ação considerada criminal.

Talvez os rapazes do New Hit não soubesse que faziam parte da Indústria do Sexo. Caso isso seja verdade, isso demonstra a banalização sexual nas produções musicais contemporâneas, com letras que estão carregadas de conteúdo no mais transparente duplo sentido. (Quem sabe tal problema fosse resolvido com a criação de um novo gênero musical, tipo Música Sexual, ou Música Erótica para classificar este tipo estilo que não é novo, vide o grupo É O Tchan!, e que não tem classificação etária).

Mas na verdade, o caso não é um problema de ser ou não parte da indústria sexual light que os levou a cometer tal ação criminal bem grave contra as duas meninas, pois existem go-go boys e garotos de programas também de pouco talento que nunca cometeram nenhum crime desta natureza. No caso New Hit, isso se deu simplesmente pelo narcisismo desenvolvido durante suas apresentações, e é claro, pela ausência completa de respeito às mulheres.

Neste contexto, a elaboração do conceito por trás do grupo musical, por quem quer que seja que os produziu, seria simplesmente um fator que revela o quê o Brasil anda consumindo musicalmente hoje em dia.


A Marcha das Mulheres em manifestação no dia do início do julgamento. (FOTO: Jornal A Tarde)

Mas felizmente, como já mencionado acima, cresce no Brasil a voz da oposição a este tipo de comportamento, inclusive o de semi-celebridades. Como reporta o Jornal A Tarde, o julgamento de instrução foi marcado por protestos e confusão. O Jornal A Tarde diz:

"O tumulto, que teve de ser contido pela polícia, foi provocado por membros da Marcha Mundial das Mulheres. Elas furaram o cerco policial e invadiram o fórum quando os músicos chegaram ao local".

Mas por outro lado, não foi somente a voz do movimento civil de mulheres que se manifestou em frente ao fórum radicalmente contra os suspeitos. Ainda segundo o Jornal A Tarde, também houve a manifestação de apoio à banda, realizada por algumas fãs do grupo de pagode que gritavam:

"New Hit, eu te amo!", "New Hit unido jamais será vencido".

As fãs fieis do grupo têm mostrado apoio desde o início do caso, chegando a depor em favor na delegacia no momento da prisão dos integrantes. 

Mas por quê esse fascínio por estupradores de crianças ainda funciona com o público? Talvez, o descontrolável poder de exploração do quê é momentaneamente lucrativo parece exercer, em parte da população, uma força sedutora muito maior do quê o poder de distinguir entre o aceitável e o inaceitável, bem como o poder de anular o conceito e significado da palavra crime. Pelos menos, é isso que pensa algumas produtoras de shows e eventos que insistiram em agendar shows após a soltura dos rapazes.

Pensar e discutir esse assunto não é estar prestando atenção nas fofocas das celebridades, pois este caso envolvendo a banda New Hit não é um caso isolado do machismo descontrolável que atinge como uma epidemia o homem brasileiro. Os integrantes da banda com seu status de semi-celebridade (tendo seu estilo e comportamento geralmente servindo de exemplo a ser seguido pelos fãs), torna o caso muito mais relevante neste momento em que no Brasil, e no mundo, cresce o índice de violência e assassinatos contra mulheres.

Mesmo que sejam considerados inocentes, já é possível dizer  através das várias manifestação contrárias ao grupo desde que o caso se iniciou, que a banda New Hit já tem seu nome na lista dos grandes inimigos da mulher brasileira, seja ela adulta ou criança.



Leia a matéria do G1 sobre o caso da banda New Hit, clicando abaixo:





Leia a matéria do Jornal A Tarde, clicando aqui:





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