COMENTÁRIO CONTEÚDO ANEXO: A Renúncia Histórica




A Renúncia do Papa Bento 16

No início desta semana, o mundo ficou com o queixo caído com a notificação do Vaticano de que o Papa Bento 16 estava renunciando ao cargo a partir do final deste mês por razões de idade e que sua saúde não o permitiria desempenhar sua função de Papa.

Bento XVI

Desde então muito se tem falado sobre a renúncia, já que esse tipo de coisa não acontecia na instituição desde uns 6 séculos atrás. A razão oficial da renúncia, então, começou a ser questionada não sendo a única justificativa real para tal decisão da Igreja Católica.

Não se descartou nos noticiários, no entanto, que sua idade e sua saúde não tenham sido os reais motivos para Bento 16 decidir largar suas funções, mas os comentaristas têm tentado elaborar um contexto mais amplo para tal decisão já que outros papas já envelheceram e ficaram doentes—vide o antecessor de Bento 16, o famoso João Paulo II, o João de Deus.

Falando no seu sucessor, J.P.2 tem servido de comparação para Bento 16 desde o momento da posse deste último. Basicamente, J.P.2 foi um carismático pop-star (ou, papa-star); Já Bento 16 já foi retratado como nazista antipático e inimigo dos direitos humanos internacional. Bem, as diferenças entre os dois são evidentes, mas em termos de política os dois também diferem largamente.

O bom humor de JP2

Algumas dessas diferenças têm sido bem claras. Enquanto J.P.2 se engajava nas discussões (intelectual e cultural) internacionais, muitas vezes através de uma visão liberal, Bento 16 por outro lado, mostrou um conservadorismo estrito em discussões semelhantes, tendo sido essa posição notada várias vezes no que diz respeito ao diálogo inter-religioso. Esta pode ser classificada como uma das áreas de extrema convergência de visões entre ele e J.P.2.

João procurou encontrar afinidades entre as mais diversas religiões, se encontrando com líderes internacionais de diversas denominações religiosas; e Bento declarou em 2007 que a Igreja Católica é a única verdadeira, a única que salva, provocando muitas críticas. No entanto, o que mais, digamos, “sujou” a imagem de Bento 16 foi sua posição não muito clara em relação aos abusos sexuais de crianças cometidos pelo clero.

As críticas a Bento 16 são muitas e com certeza muitas correntes sociais não lamentam a sua decisão de renúncia. Claramente, agora, a Igreja Católica concentra esforços na escolha do novo Papa, já que os comentários sobre a renúncia também abordam largamente um tipo de declínio do catolicismo em algumas regiões do mundo, tal como a América Latina, onde o crescimento das religiões Protestantes aumentam o nível de adeptos nas últimas décadas.

Talvez, como sugere a mídia, essa venha a ser uma das variáveis que influenciem a escolha do novo papa, pois essa escolha agora vem sendo o fato mais comentado, discutido e especulado por toda parte.

Quem vai ser o novo Papa? Um Cruzador Pós-Moderno com o carisma de cantor de rock, ou com o charme internacional de Barak/Michelle Obama? Um defensor dos Direitos Humanos dentro das tradições da Igreja? Todos se perguntam e opinam, já concentrando favoritismos, sobre qual deveria ser a origem e a nacionalidade do o novo Papa.

Essa discussão é muito peculiar pois ela acontece tão pouco nas nossas vidas que é uma grande novidade. Uma renúncia Papal é coisa rara. A escolha de um novo papa acontece com menos frequência do quê uma Copa do Mundo, do quê uma Olimpíada, ou uma eleição Presidencial.  Bento 16, querendo ou não, conseguiu inovar a igreja com sua decisão, nos levando a outra pergunta: A renúncia papal agora se tornará um procedimento disponível aos papas? Todo movimento começa com uma só cabeça.


O mais interessante é que, queira ou não, tal evento já se tornou um evento histórico de grandes proporções que com certeza levará muitos historiadores, durante muitos e muitos anos, a elaborarem teorias sobre a verdade atrás da renúncia de Bento 16.



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