Ontem foi inaugurado o Museu de Arte do
Rio
A inauguração do museu marca a mudança urbana que área portuária do Rio está sofrendo, pois é o primeiro projeto completo da área.
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Museu de Arte do Rio - MAR - Rio de Janeiro
(Foto: Alexandre Macieira, Riotur) |
Tal inauguração também é um marco da política de remoção da populações marginalizadas.
As obras de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro já criou e vem criando muita discussão sobre seu tamanho, ambição, mas principalmente sobre o seu impacto nas comunidades que se encontram na área. Mas como de costume, as discussões não afetam as decisões políticas, principalmente quando estas são realizadas em nome de um um crescimento econômico, e sem considerar em nenhum aspecto, o impacto causados nas comunidades com pouco poder político-econômico.
O Porto Maravilha não tem sido tão maravilhoso para todos, como o seu nome nem um pouco criativo tenta propagar. É sabido de todos que as obras do Porto Maravilha adotou uma política nos moldes da prática da arrogância de poder. E é claro, esse postura se dá sobretudo quando se tenta resolver um problema sem considerar outros. Esta é a prática e postura do governo do Rio em relação às obras acirradas e apressadas para os Mega Eventos Esportivos.
Os eventos que serão sediados na cidade estão sendo usados para uma política de limpeza rápida, igual àquelas que se faz quando se está recebendo visitas inesperadas e se tem que arrumar a casa em 10 minutos, colocando-se todo o lixo embaixo do tapete.
Um bom exemplo desta prática da política-arrogante praticada pelo governo do Rio é o impacto que as obras têm sobre as famílias que residem na área, ou seja, as comunidades residenciais que estão ali há mais tempo do que os atuais governantes estão no poder. Como lidar com essas comunidades?
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Casa destruída no Largo do Tanque, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio.
Foto retirada do site Comitê Popular Rio Copa e Olimpiada
(Foto: Renato Cosentino) |
Remover pobres de uma área para outra
sempre foi o mecanismo utilizado por governantes quando se quer
remodelar um determinada área da cidade. Remove-se, assim se
descarta o velho e se instala o novo. E as
estratégias de remoção nem sempre são as mais limpas e claras, e agora com as obras para os Mega Eventos o caso não é diferente,
como relata o documento "Procedimentosde remoção de moradores da Região Portuária: relato e comentáriosà reunião pública:
Relato
e Comentários à Reunião Pública Realizada na Sede do Ministério
Público Federal em 24/05/2011, Rio de Janeiro/RJ".
O documento de 2011, exemplifica a tal política arrogante praticada
contra a população carioca (ou pelo menos a parte mais
insignificante desta população). O documento diz:
“Moradores informaram que pessoas não identificadas, desprovidas de crachá ou uniforme que os identifique como representante do poder público, têm visitado suas casas para realização de cadastro das edificações. Estas pessoas tiram fotos e fazem medição do imóvel. Uma moradora declarou que em sua casa foram realizadas três dessas visitas. Outro problema que leva ao questionamento da legalidade dessa ação é que não é entregue aos moradores qualquer documento que registre o levantamento de informações sobre o imóvel, ficando o morador desprovido de recursos para verificar e até mesmo questionar a caracterização de sua casa, informação esta que provavelmente será utilizada para cálculo de indenização em face das remoções que estão por vir. Ou seja, os moradores carecem de quaisquer informações oficiais quanto condições dessa remoção, indenizações, prazos e destino (local) das famílias removidas”.
Os governantes do Rio de Janeiro não parecem mais se importar com a manifestação contrária sobre os procedimentos das obras para os Mega Eventos. Essa impressão se torna clara quando as obras seguem sem muitas mudanças em postura. Logo após o carnaval, centenas de pessoas foram despejadas em apenas três semanas no dia 22 de fevereiro no Largo do Tanque em Jacarepaguá, como relata o Comitê Popular Copa& Olimpíadas Rio no seu artigo Largo do Tanque: mais uma remoção sumária para as Olimpíadas do Rio deJaneiro.
Essas remoções que são praticadas sem aviso e sem diálogo com a população, mostra não só uma falta de respeito com esses cidadãos, mas mostra acima de tudo a falta de habilidade política de planejamento. Claramente não está havendo planejamento, não há um plano a ser seguido. O piloto automático está ligado e quem não sair da frente será atropelado.
O governo atropela a qualquer um, inclusive a ONU (Organização das Nações Unidas) que em maio do ano passado recomendou ao Brasil “que as obras da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 não gerem despejos forçados de moradores e tragam benefícios 'duradouros' para a população urbana marginalizada”, como reportou a BBCBrasil na época.
Com a inauguração do Museu de arte do Rio, e a presença de figuras ilustres discursando maravilhosamente sobre a maravilha de obra realizada na cidade maravilhosa, e parte do Porto Maravilha, as manifestações também se fizeram presentes. Cerca de 100 pessoas também se aprestaram para se manifestarem contra a revitalização da zona portuária, como disse o O Portal A Tarde:
“Um dos grupos protestava contra iniciativas da prefeitura e do governo do Estado com cartazes, máscaras e faixas de protesto, entre elas 'Não à venda do Rio de Janeiro', 'Revitali$ar para quem?', 'Pega ladrão: fora Cabral' e 'Choque mata', em alusão ao programa municipal denominado Choque de Ordem. Um manifestante exibia faixa do Movimento Partido Pirata do Brasil”.
Todos sabem que Sérgio Cabral e Eduardo Paes não se sentem embaraçados e constrangidos pelos seus atos, por piores que possam ser, então, eles não devem ter se importando muito com as manifestações. Na verdade, artistas também se manifestaram contra o fechamento dos teatros que foram fechados no Rio depois da tragédia da boate Kiss no Rio Grande do Sul, manifestação a qual o Prefeito Eduardo Paes chamou de “Tumultuosinho”, segundo diz o Portal R7.
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Dilma encerrou a festa de inauguração
do Museu de Arte do Rio (Foto: Roberto Stuckert Filho) |
Mas e a Presidente Dilma? Como ela se posicionou publicamente diante da voz popular contra a política arbitrária da prefeitura na realização dessas obras? Bem, durante a inauguração, além da presidente afirmar que o país está se tornando um país de classe média, ainda segundo o Portal R7, ela disse:
“Um presidente da República convive hoje com o som das manifestações. O que, na minha época, não era usual. Esse barulho nos faz ter a certeza de que esse país é democrático. A vida é isso, tem essa riqueza. Aqui tem um pedaço imenso da arte. Estamos nos transformando num país de classe média que valoriza a superação da miséria, a ciência e a valorização da cultura”.
Pois é, com um discurso de
guerrilheira aposentada a presidente volta ao passado se referindo à sua época se esquecendo que a sua época é agora, como Presidente da República. Agora ela pode ouvir aos protestos, falar, dialogar com os que protestam. É agora, também, que além de pleitear uma vaga para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU, a presidente deveria também dar um pouco mais de atenção à mesma instituição quando esta aconselha o Brasil a evitar remoções das populações marginalizadas.
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Paes não poderia estar mais em cima da Presidente
durante a retirada do pano de cima da placa do Museu
(Foto: Alexandre Durão/G1) |
Enquanto isso, pessoas são removidas, deslocadas, despejadas, o Maracanã é dado de presente à inciativa privada, e outros absurdos da política arbitrária da arrumação-rápida acontecem. Se isso é superação da miséria e valorização da cultura, já não é mais possível saber o significado de Maravilha.
Um museu é sempre bem vindo, mas um museu seguido de respeito aos cidadãos menos privilegiados, isso sim seria uma obra arte que poucos políticos brasileiros estão prontos a realizar.
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